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Bacia do Rio Ratones

      Bacia Hidrográfica do Rio Ratones
             Histórico e Locallização
            A Bacia Hidrográfica do Rio Ratones (27° 26’ 04” e 27° 32’ 35” de latitude sul e 48° 25’ 04” e 48° 31’ 49” longitude oeste) está localizada à noroeste da Ilha de SC, adjacente à baía norte, é a mais extensa bacia da Ilha de Santa Catarina ocupa uma área de aproximadamente 61 km2 e é formada entre os morros da Barra do Sambaqui, o Morro do Forte, o Morro de Jurerê-Canasvieiras e os morros da Dorsal Norte da Ilha (FUSVERK, 2002).
De acordo como os estudos aerofotogramétricos realizados, a Bacia hidrográfica do Rio Ratones em 1938, possuía área aproximada de 77,81 km², e perímetro correspondente a 44,33 km de extensão, definida geomorfologicamente pelas formas naturais de relevo e sua evolução. Decorrente das modificações antrópicas realizadas a partir de 1949, pelo extinto DNOS, com a abertura de grandes canais e extensas valas de drenagens, e a captura de microbacias vizinhas, a bacia hidrográfica do Rio Ratones foi acrescida em aproximadamente 13% de sua área natural, passando a possuir área de 88,32 km², e perímetro correspondente a 51,70 km lineares (FIDELIS, 1998).
            A Bacia Hidrográfica do Rio Ratones caracteriza-se por uma grande heterogeneidade ambiental (balneários, manguezal, restinga, área urbana e uma considerável área rural), contribuindo para uma diversidade econômica e social desta região (FUSVERK, 2002).
Conforme a autora, quanto aos aspectos sócio-econômicos, a região apresenta um quadro bastante diversificado. Sua população é constituída por nativos (descentes de açorianos, índios, escravos, negros), migrantes e uma população sazonal.
Nas zonas rurais, encontramos o distrito de Ratones, e as localidades de
Vargem Grande, Vargem Pequena, Canto do Moreira, dentre outras. Sendo, a maioria das áreas rurais utilizadas para agricultura ou pastagens (FUSVERK, 2002).
Destaca-se ainda, dentro da Bacia Hidrográfica do Rio Ratones a Estação Ecológica de Carijós - ESEC Carijós, esta é uma UC administrada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), criada em 20 de julho de 1987, através do Decreto Federal N.º 94.656, localizada no noroeste da Ilha de Santa Catarina, à margem da Baía Norte (SILVA, 2005).
 
                Hidrografia
O Rio Ratones é o principal formador desta bacia e deságua em um pequeno estuário (a enseada de Ratones), delimitado pelo Pontal da Daniela. Afluente de margem direita, o Rio Papaquara deságua na parte central do manguezal, apresentando grande volume de água e exercendo, portanto, importante papel na dinâmica sedimentar deste ambiente (FURVERK, 2002).
Um estudo feito pelo Grupo Pau-Campeche (Mendonça, et al. 2007), sobre o Morro Papaquara, sobre a implantação deste como Unidade de Conservação, demonstra que; No maciço do Morro do Caçador encontramos várias nascentes de quatro rios que drenam para três bacias hidrograficas distintas. O Rio Papaquara se forma nas encostas da Vargem do Bom Jesus e o Palha nas encostas da Vargem Grande ambos fazem parte da Bacia Hidrografica do Rio Ratones e desaguam dentro da ESEC. São os mais expressivos em volume d`água e extensão, também contribuem para a regarga do aqüifero dos Ingleses.
Segundo Caruso (1990), apresenta, também, como afluentes de margem direita, o Rio Costa e o Rio Cachoeira; e o Rio Ribeirão e Piçarras, pela margem esquerda. O Rio Ratones e alguns de seus afluentes eram navegáveis em quase toda a extensão de seus cursos, por correrem através de uma planície. Os rios desta bacia constituíram-se na principal via de transporte para pequenas canoas durante o século XVIII até o início do século XX.
            O Rio possuía, em 1938, aproximadamente 16,34 km de extensão e uma média de 02 m de profundidade (e alguns poços junto às curvas de até 08 m de profundidade), tendo em média 15 m de largura. Em 1978, os dados delimitam o Rio com 12,46 km, 01 m de profundidade e largura superior à 20 m metros ao longo do seu leito principal (FIDELIS, 1998).
Conforme o mesmo autor, estas modificações tiveram início no ano de 1949, executadas pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento - DNOS, como o "grande projeto de recuperação da bacia do Rio Ratones, com área de cerca de 36.000.000 m², considerada naquele momento completamente perdida pela invasão da maré e pela falta de escoamento das águas acima da zona de influência da maré". Posteriormente em 1959, como Projeto de Saneamento da Bacia do Rio Ratones, com argumentos de que "as águas estagnadas prejudicavam sensivelmente a agricultura na referida zona e que a drenagem objetivava beneficiar os Distritos de Ratones e Canasvieiras, possibilitando instalar granjas de gado leiteiro e a fixação de colonos holandeses na Ilha de Santa Catarina". (FIDÉLIS, 1998).
            Convém salientar, que segundo dados informais, tal projeto foi impulsionado por grandes latifundiários, dentre os quais um governador, visando, como já mencionado, propiciar as terras à agricultura. Tal engenho não teve êxito, pois as águas dos rios, como não possuíam acesso ao mar, alagavam as áreas devastadas e destinadas à agricultura. Após a comporta ser retirada, o manguezal reiniciou paulatinamente seu processo de recuperação. Todavia, ainda continua sendo o alvo de aterros clandestinos e pesca indiscriminada, apesar de apresentar-se sob os cuidados da ESEC/IBAMA (FUSVERK, 2002).
O estudo de fotointerpretação de fotografias aéreas referentes ao levantamento aerofotogramétrico realizado em 1938 pela Marinha do Brasil, na escala de 1:30000, permitiu a identificação das onze (11) microbacias formadoras da Bacia Hidrográfica do Rio Ratones, com áreas que variam desde 1,78 km² até 11,77 km². Resultante do processo de captura de microbacias por retificação e abertura de novos canais e valas de drenagens, executados pelo extinto DNOS, a bacia hidrográfica foi acrescida em 13% de sua área original. A construção dos grandes canais de retificação, modificaram o sistema de drenagem natural da bacia, redesenhando os limites físicos das microbacias, que por vezes tiveram suas áreas naturais reduzidas, mantidas ou até mesmo acrescidas, alterando de forma significativa todo o sistema de drenagem, passando a caracterizar um total de dez (10) Microbacias, com áreas que variam desde 1,11 km² até 13,83 km² (1978) (FIDÉLIS FILHO, 1998).
Atualmente a Bacia Hidrográfica do Rio Ratones encontra-se bastante alterada, seus afluentes assoreados e poluídos e inúmeros esgotos domésticos têm como destino final os mananciais (FUSVERK, 2002).
                Relevo
O relevo da Bacia Hidrográfica do Rio Ratones, assim como da Ilha de Santa Catarina, apresenta duas unidades marcadamente diferenciadas por suas formas e processos de origem e evolução (SILVA, 2005). As altitudes variam do nível do mar até 493m na Costa da Lagoa, sendo este o divisor de águas da Bacia do Rio Ratones (CECCA, 1997).
Segundo o autor acima, da Praia da Daniela a Jurerê, e de Canasvieiras a Cachoeira do Bom Jesus, as praias estão rodeadas de Planícies constituidas de processos erosivos e oscilações ambientais, associadas principalmente, ao rebaixamento progressivo do nível do mar a partir de cinco mil anos atrás.
As regiões constituidas por planícies costeiras são acumulações recentes representadas pela unidade geomorfológica, caracterizadas pela diversidade de ecossistemas de transição. A baixa declividade desta Bacia favorece a entrada da maré por longas distâncias, promovendo enchentes por meio da retenção de água da chuva e dos rios, em parte da área (CARUSO, 1993).
                Flora
A área ocupada pelo manguezal de Ratones, em 1938 era de 16,57 km2. A partir deste marco temporal, sucederam-se as intervenções humanas levando à restrição deste espaço. Após quarenta anos, os manguezais da Ilha apresentavam suas áreas reduzidas em aproximadamente 37%. Ratones apresentava 10,4 km2. Tal fato acelerou-se a partir dos anos setenta. Em 1981, das áreas ocupadas pelo manguezal em Ratones, restavam apenas 6,25 km2 (CECCA, 1997).
Além de ter sido afetado pelos problemas de desmatamento (como outros manguezais), construção de rodovias e o avanço da ocupação urbana, certamente foi o mais atingido por obras de drenagem, através da implantação (em 1949) de canalizações de cursos de água pelo DNOS (FUSVERK, 2002).
Conforme a autora, torna-se importante salientar que a quase totalidade da Bacia do rio Ratones apresenta-se formada de ambientes característicos de preservação permanente (manguezais, restingas, praias e Floresta Tropical Atlântica). No distrito de Ratones ainda encontramos áreas remanescentes de Floresta Ombrófila Densa, nas partes mais altas das encostas, o que já tinha sido constatado por Caruso em 1990.
Com o mesmo intuito, a Unidade de Conservação - ESEC Carijós, visa a proteção do ecossistema manguezal, destinando-se à realização de pesquisas básicas ou aplicadas, à proteção do ambiente natural e ao desenvolvimento da educação ambiental. Não é permitida a visitação pública. Convém relatar que esta Estação não deveria apresentar problemas de regularização fundiária, considerando que a área da mesma é composta por manguezais, e estes, pela Lei 4771/65, constituem áreas de domínio público. Todavia, desde os primeiros levantamentos topográficos realizados em 1981, para estabelecer seus limites, foram identificadas áreas tituladas, situação que ainda persiste (CECCA, 1997).
Com uma dimensão total de cerca 7,15 km2, a ESEC engloba duas glebas separadas geograficamente: os manguezais de Saco Grande e de Ratones, distantes entre si aproximadamente 5 km. A área do Manguezal de Saco Grande possui cerca de 0,93 km² (13% da área total) e está inserida na bacia hidrográfica do Rio Pau do Barco, no bairro de Saco Grande. A área do Manguezal de Ratones possui 6,25 km² (87% da área total) e se insere na Bacia hidrográfica do Rio Ratones, a maior da Ilha de SC. Além do ecossistema de manguezal, a ESEC Carijós abriga ainda algumas áreas de restinga com sua vegetação típica em alguns locais da gleba de Ratones (AMIGOS DE CARIJÓS E IBAMA, 2003).
             Fauna
            Em estudos feitos por Daninni & Hanazaki (2007), sobre a etnoecologia dos peixes do Rio Ratones, foram citados 33 nomes populares de peixes, sendo os principais: tainhote, robalo, tainha, bagre, parati, corvina, camarão e cará. Os peixes considerados mais abundantes ao grupo de pescadores que participou das oficinas foram: cascote, cará, bagre, linguado, tainha, robalo, carapeva, iguaçu canhanha e cara-amarela. O peixe considerado o mais abundante no ano todo foi o cara-amarela. Marcon (2000) considera que os peixes mais abundantes do rio Ratones são os da família Engraulidae (manjuvas), que não foram citados pelos pescadores, talvez por serem considerados peixes miúdos e não apresentarem importância econômica.
               Uso e Ocupação do solo
No norte da ilha a ocupação urbana iniciou em meados do século XVIII e intensificou no século XIX. As atividades comuns eram pesca e agricultura com predominância de mandioca seguida da cana, amendoim, milho, entre outros. O translado nessa época era feito pelo mar, o que fez do local hoje chamado Ratones que tem seu rio principal desaguando na Baía Norte e de Santo Antonio de Lisboa, pelo seu porto movimentado, centros com uma dinâmica atividade econômica justificada pelo movimento contínuo de pequenas embarcações em viagens de comércio (CECCA, 1997).
A área de entorno da gleba de Ratones, abrange as localidades de Daniela, Forte, Jurerê, Canasvieiras, Vargem Grande, Vargem Pequena, Ratones, Canto do Lamim, Barra do Sambaqui e parcialmente os bairros de Sambaqui, Santo Antônio de Lisboa e Cachoeira do Bom Jesus. Com uma urbanização menos densa, possui ainda grandes áreas, definidas pelo plano diretor do município, como de exploração rural e importantes remanescentes da cobertura vegetal nativa (SILVA, 2005).
Segundo análise de dados do IBGE, a população do entorno da ESEC Carijós cresceu 164% entre 1991 e 2000, taxa muito mais elevada do que o município de Florianópolis, que apresentou um crescimento de 33,8%. As atividades comerciais apresentaram um crescimento proporcional destacando-se aquelas relacionadas com a construção civil (AMIGOS DE CARIJÓS et al., 2002).
As atividades rurais no entorno da ESEC Carijós, em se tratando em número de estabelecimentos são bastante inexpressivas. Cabe destaque para o crescimento da atividade de agricultura orgânica principalmente na localidade de Ratones, atividade que, de acordo com seus pressupostos, não produz contaminação por insumos químicos (SILVA, 2005).
Pode-se claramente identificar também a importância da ocupação nas localidades da bacia hidrográfica do Saco Grande, salientando que são nelas onde se concentram as maiores densidades residenciais, em conjunto com a Daniela, Jurerê, Vargem Grande, Barra do Sambaqui e Vargem Pequena (AMIGOS DE CARIJÓS et al., 2002).
O caráter recente e instável das formações existentes na Bacia Hidrográfica do Rio Ratones demanda maior prudência quanto à sua ocupação. A aceleração de processos erosivos marinhos, somados à densidade crescente da ocupação balneária (a partir dos anos setenta) e à precariedade das condições sanitárias esboçam um quadro preocupante para a qualidade ambiental (CECCA, 1997).
É provável que o crescimento dos valores da área habitada e urbanizada dá-se pelo adensamento ocorrido devido as migrações para o distrito; Quanto as áreas classificadas como manguezal alterado nota-se que com o passar do tempo aumentaram. O que significava em 1977 apenas 5,75%, em 2004 passou para 13,71%. Fato ocorrido provavelmente devido a ocupação e impacto dos efluentes domésticos (ALENCAR, 2006).
Atualmente, a forma de ocupação desordenada na Bacia Hidrográfica do Rio Ratones e a transição de área rural-urbana, resultaram em enchentes, estas começam a ocorrer com o início da descaracterização de uma área essencialmente rural. Para adquirir características urbanas essa área passa pelo processo de retirada da cobertura vegetal, impermeabilização do solo com construções, abertura de vias principais e secundárias sem planejamento, substituição da drenagem natural por canalização, tubulações e bueiros subdimensionados e geralmente mal posicionados ( FIDÉLIS FILHO, 1998).
Segundo o autor, as conseqüências desse crescimento acelerado e de forma desordenada, trouxe consigo muitos problemas de ordem sócio-ambiental.
Outro problema associado a ocupação desta Bacia, conforme o trabalho realizado por Furvesk (2002), o esgoto, na maioria das residências da Bacia Hidrográfica do Rio Ratones é eliminado através das praias, rios, manguezais, alguns apresentam sistemas de fossas e sumidouros. Convém salientar que Jurerê Internacional, por apresentar construções bem estruturadas, com hotéis e pousadas de alto padrão, já apresenta um sistema de saneamento básico.
A ocupação desordenada da Bacia Hidrográfica do Rio Ratones provavelmente resultou, dentre outros fatores, de um Plano Diretor e de uma legislação urbana inadequados à natureza insular da região; pela omissão dos administradores na ordenação doespaço, fiscalização das irregularidades e da falta de punição exemplar dos infratores. Nem mesmo o conjunto de legislação municipal/federal tem impedido as ocupações ilegais, as quais atingem a própria ESEC de Carijós, unidade de conservação permanente.
               Qualidade de água                                                 
              O desenvolvimento do uso da água era vivido pela população que residia em pontos mais centrais, em outras localidades da Ilha, como o Distrito de Ratones, a água era retirada de diversas nascentes existentes nas encostas. Sabe-se, conforme a pesquisa realizada com a comunidade local, que ainda hoje muitas são as famílias abastecidas por água de nascentes ou por um sistema misto, em que há duas torneiras um com água proveniente do morro, como falam, e outra com água da Casan (ALENCAR, 2006).
Segundo a autora, a Companhia de Água e Saneamento – Casan iniciou as atividades de abastecimento de água no Distrito de Ratones apenas no ano de 1996. A água que abastece o Distrito de Ratones, e os demais bairros, é obtida através de 23 poços artesianos, perfurados a aproximadamente 50 ou 60 metros de profundidade, localizados nos bairros de Ingleses e Rio Vermelho. Após, essa água ser retirada do Aqüífero ela recebe tratamentos na Estação de Tratamento da Casan localizada no bairro de Ingleses, para mais tarde ser distribuída ma rede.
No mesmo estudo feito por Alencar (2006), cinco cursos d’água da Bacia do Rio Ratones, foram coletados onze amostras em pontos distintos para avaliar a sua qualidade das suas águas, considerando as características físicas, físico-químicas, químicas e biológicas da água superficial dos rios e nascentes da área de estudo. 
O Grupo 2 (destaque em triângulos amarelos no mapa) envolve as estações amostrais 9, 7, 6 e 8. No ponto 9, além do valor de DBO5 fora do padrão CONAMA1, a água estava acidificada, com pH de 5,84. Este ponto merece atenção, pois se localiza à montante da urbanização, próxima a uma nascente, a qual é muito utilizada como fonte de água pela comunidade local.
Concluindo, dos onze pontos que foram amostradas cinco se mantém nos parâmetros mínimos exigidos pela legislação e outras seis não. As cinco áreas que se mantiveram no padrão estão localizadas mais próximas da encosta. Porém, mesmo o ponto nove estando localizado em encosta e próximo de nascente, apresenta índices de poluição. A causa dessa poluição está diretamente relacionada ao uso de detergente e matéria orgânica.
Outro estudo mais recente, feito por Libos (2008) sobre a qualidade da água nesta Bacia, nos rios principais - rio Ratones e o rio Veríssimo. Sendo que, para o rio Veríssimo foi coletada água em três pontos diferenciados e para o Ratones em quatro pontos, distribuídos ao longo do curso dos rios. As coletas foram realizadas por 4 meses, de fevereiro a maio de 2008, por meio de coleta simples e, analisados diversos parâmetros de interesse da poluição das águas.
As amostras foram avaliadas no campo e também no laboratório de toxicologia (LABTOX) e no laboratório integrado do meio ambiente (LIMA), do departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (LIBOS, 2008).
Os resultados obtidos mostram a situação dos principais rios da Bacia, sendo que durante os meses de alta temporada (janeiro a março) houve uma piora da qualidade de água. Observa-se que para a maioria dos pontos de coleta ocorreram melhoras na qualidade da água a partir do mês de abril. Com o turismo intenso que ocorre nos meses de verão, o aumento da população é significativo devido à vinda de turistas, e, tende a cair a partir deste mês. Dessa forma, a melhora nos resultados obtidos para o IQA pode ser justificada pela diminuição da população no norte da ilha, com o decréscimo da população. 
Os parâmetros de qualidade refletem, principalmente, a contaminação dos corpos hídricos ocasionadas por lançamento de esgoto doméstico.A concentração de DBO obtida nos rios está bastante acima do limite permitido pela legislação para rios classe 1, que não pode exceder 3 mg/l. Entretanto, nos rios Veríssimo e Ratones que são classe especial, foram obtidos resultados até 5 vezes maiores (LIBOS, 2008).
Concluindo assim, segundo a autora, devido as altas concentrações encontradas de coliformes fecais, DBO, nitrogênio e, pela presença nem sempre satisfatória de oxigênio dissolvido nos diversos pontos dos rios, os resultados indicam a contaminação dos corpos hídricos da bacia do Rio Ratones, por lançamento de esgoto doméstico e dejetos de animais. Entretanto, os rios Ratones e Veríssimo, enquadrados na classe especial, não deveriam estar recebendo lançamento de efluentes de nenhuma fonte, mesmo que tratados.
 
 
Referências Bibliográficas
 
ALENCAR, R. Análise hidro-ambiental do distrito de Ratones. Florianópolis. 2006. Monografia. Universidade Estadual de Santa Catarina.
 
AMIGOS DE CARIJÓS; IBAMA/SC; SÓCIOAMBIENTAL CONSULT. ASSOC.; UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA & UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA. Plano de Desenvolvimento Sustentável para o Entorno da Estação Ecológica de Carijós. Florianópolis/SC. 2002. 225p.
 
CARUSO, F.J.   Mapa Geológico da Ilha de Santa Catarina. Texto Explicativo e mapa. Editora Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1993.
 
CARUSO, M. M. L. O desmatamento da Ilha de Santa Catarina de 1500 aos dias atuais. 2. Ed. UFSC, 1990.
 
CECCA. Uma cidade numa Ilha: relatório sobre os problemas Sócioambientais da Ilha de Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 2. Ed., 1997.
 
DANNI, M. C; HANAZAKI, N. Anais do VIII Congresso de Ecologia do Brasil, 23 a 28 de Setembro de 2007, Caxambu. Etnoecologia dos Peixes do Rio Ratones, Florianópolis, SC. 2007.
 
FIDÉLIS, F. N. L. Uma abordagem sobre as profundas modificações na morfometria fluvial da bacia hidrográfica do Rio Ratones - Florianópolis/SC, em um período de quarenta anos e suas consequencias. Florianópolis/SC,1998. 255 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) - Universidade Federal de Santa Catarina.
 
IBGE. Censo Demográfico, 1991. IBGE, Rio de Janeiro: 1993.
 
LIBOS, N. M. C. Distribuição espacial do índice de qualidade da água e a relação com uso e ocupação do solo da Bacia Hidrográfica do Rio Ratones. Florianópolis, 2008. 82 p. Monografia (Curso de Engenharia Sanitária) - Universidade Estadual de Santa Catarina.
 
Marcon, E.D. Comunidade ictíica do estuário do rio Ratones, Florianópolis, 2000. Monografia, Universidade Federal de Santa Catarina.
 
MENDONÇA, E. N., MEDEIROS, J DE D., CASTRO, C.P., CASTELUCCI. A. H., STEFANI, M. R. Morro do Caçador - Uma Proposta de Unidade de Conservação. Florianópolis – SC. Grupo Pau-Campeche. PDA. 2007.
 
SILVA, A. D. Estudo geo-estrutural do manguezal de Ratones na Ilha de Santa Catarina, município de Florianópolis, SC. Florianópolis/SC. 1990Dissertação (Mestrado Geografia) –UFSC.
 
SILVA, R. V. A da. Instrumental para definição de zonas de amortecimento de Unidade de Conservação: o caso da Estação Ecológica de Carijós-IBAMA. Florianópolis/SC. 2005. 140 p. Dissertação (Mestrado em Geografia) Universidade Federal de Santa Catarina.
 
 Informações retiradas do Diagnóstico das Bacias Hidrográficas de Florianópolis realizado pela Associação Brotar e Crescer.